Engenharia – Omissão do Estado e falhas técnicas podem ter causado catástrofe em Mariana

Soraya Misleh

“Um desastre anunciado.” Assim o promotor de justiça Carlos Eduardo Ferreira Pinto, do Ministério Público de Minas Gerais (MPMG), classifica a ruptura da barragem do Fundão em 5 de novembro último. Em funcionamento desde 2008 e em obras para ampliação de sua capacidade, o empreendimento da Samarco Minerações pertencente ao Complexo Germano-Alegria, no município de Mariana (MG), era considerado pelo Departamento Nacional de Produção Mineral (DNPM) como de dano potencial alto, mas risco baixo. As causas do rompimento de uma barragem com essa característica ainda estão sendo investigadas, e a expectativa, segundo Ferreira Pinto, é que a análise seja concluída em dois meses. Os indícios são de que houve falhas técnicas e no controle e comando do Estado.

“Houve uma série de erros, desde a implantação da barragem. O órgão ambiental concedeu licença de instalação sem que fosse apresentado projeto executivo. Significa dar um cheque em branco ao empreendedor, uma grave omissão do Estado, cuja fiscalização da obra também não funcionou, por falta de estrutura. São mais de 700 barragens em Minas Gerais e apenas dois técnicos para fiscalizar, situação que se repete em todo o País. Também não havia um plano de ação de emergência.” Essas ações estão previstas na Lei Federal nº 12.334/2010, que instituiu a Política Nacional de Segurança de Barragens (PNSB).

Em 2013, a Samarco requereu renovação da licença de operação (LO) do complexo, que incluiria a ampliação da capacidade da barragem (alteamento). O MPMG solicitou então ao Instituto Prístino laudo técnico. Apresentado em 18 de outubro daquele ano, esse alertava para a possibilidade de colapso da estrutura. Uma das razões era a proximidade entre a barragem do Fundão, para disposição de rejeitos de minério de ferro da Samarco, e área pertencente à Pilha de Estéril União, da Mina de Fábrica Nova da Vale S/A – em que se acumulavam rochas sem minério. “Notam-se áreas de contato entre a pilha e a barragem. Esta situação é inadequada para o contexto de ambas estruturas, devido à possibilidade de desestabilização do maciço da pilha e da potencialização de processos erosivos. Embora todos os programas atuem na prevenção de riscos, o contato entre elas não é recomendado pela sua própria natureza física. A pilha de estéril requer baixa umidade e boa drenagem; a barragem de rejeitos tem alta umidade (…)”, indica o documento, que recomendou a apresentação de estudos “sobre os possíveis impactos do contato entre as estruturas”, bem como que a Superintendência Regional de Regularização Ambiental Central Metropolitana (Supram-CM) se manifestasse “tecnicamente sobre a segurança da interação entre os empreendimentos”. O laudo  fundamentou parecer do MPMG, datado de 24 de outubro de 2013, no qual tais recomendações são reiteradas e é proposta a inclusão de uma série de condicionantes relativas à garantia da segurança da obra para revalidação da LO. Entre elas, a realização de “monitoramento geotécnico e estrutural periódico dos diques e da barragem, com intervalo máximo de um ano entre as amostragens”.

Questionada a respeito, a Secretaria de Estado de Meio Ambiente e Desenvolvimento Sustentável de Minas Gerais (Semad), por intermédio de sua assessoria de imprensa, afirmou: “A barragem do Fundão estava com o licenciamento em dia e todas as condicionantes foram cumpridas. Foi auditada em julho de 2015 e o relatório foi entregue à Feam (Fundação Estadual do Meio Ambiente) em setembro.” Segundo o órgão, a conclusão foi pela estabilidade da estrutura, mas com recomendações quanto à “estabilidade física”. “O cronograma para implantá-las iniciou-se em 10 de setembro com previsão para conclusão entre 31 de dezembro de 2015 e 31 de dezembro de 2016.” A barragem, ainda conforme a Secretaria, havia sido fiscalizada pela Feam em outubro de 2014. “Estava no planejamento da fundação outra vistoria para dezembro deste ano.” A assessoria do órgão destacou, todavia, que a responsabilidade legal pela segurança das barragens é do empreendedor.

Cortes na engenharia
Para o professor Carlos Barreira Martinez, coordenador do Centro de Pesquisas Hidráulicas e Recursos Hídricos da Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG), uma série de fatores levou ao desastre, cujo gatilho seria a sequência de pequenos abalos sísmicos ocorridos poucas horas antes. Criticando também a falta de fiscalização pelo Estado e atribuindo-lhe responsabilidade, contudo, ele é categórico: “Se o esquema construtivo fosse outro, existe a possibilidade de que esse evento catastrófico não acontecesse.” A referência é à técnica adotada pela Samarco para ampliação da capacidade da barragem do Fundão, denominada “alteamento a montante”. Embora seja prevista em norma, para Martinez, não deveria ter sido utilizada nessa obra. “Como engenheiro, eu não recomendaria. Seria a jusante, mais apropriada para esse caso.” Especialista em segurança de barragens, o engenheiro civil Daniel Prenda de Oliveira Aguiar concorda e explica: “Nesse processo (a montante), a barragem original recebe um novo aterro, avançando para dentro do reservatório em relação ao dique de partida, com a finalidade de acumular mais materiais. É utilizado como base de suporte o próprio rejeito, após um processo de drenagem e compactação. Mesmo tomando todas as medidas de controle e segurança durante a obra, esse processo não é recomendado devido ao risco que oferece. As chances de ocorrer percolação (infiltração) de água pela interface entre os sucessivos alteamentos é alta. Com isso, pode ocorrer desestabilização do maciço e perda da capacidade de suporte da fundação. Esse já é um importante fator de risco.” Associado a tal fato, Aguiar assevera que “as barragens de terra e enrocamento são naturalmente mais suscetíveis a erosões internas, sendo necessário um bom sistema de impermeabilização interna e filtragem para rebaixamento do lençol freático, ou seja, impedir que a água infiltre internamente à estrutura de terra. No método aplicado, dificilmente se consegue isso, tendo que se confiar somente nos filtros. O de alteamento a jusante é considerado o mais seguro, porém, por ser também o mais caro, raramente é aplicado”.

Também especialista em segurança de barragens, o engenheiro civil Euclydes Cestari Junior informa que a economia com o método adotado é da ordem de 70%. Mas pondera: “A engenharia utiliza essa técnica com sucesso. O problema é que você tem que ter uma gestão da operação da barragem. Não pode ser feito sem critérios técnicos.” Embora não veja problemas com a utilização de alteamento a montante, ele frisa que tal obra, que incluía instalação de instrumentos e vinha sendo feita conjuntamente com a manutenção de filtros, requereria cuidados especiais, os quais podem não ter sido tomados. “Se rompeu, é porque houve falha.” Cestari aponta a falta de projeto executivo, verificada pelo MPMG, como uma delas. “Talvez a empresa tenha ficado apenas com o básico para economizar”, o que, atesta ele, compromete a segurança. “É como levantar um prédio de dez andares. Se fizer com critérios técnicos, não vai acontecer nada. Agora, se levantar um de três andares sem isso, vai cair. Está se economizando na engenharia. É preciso contratar profissionais com acervo técnico, com renome, e isso custa. O Crea (Conselho Regional de Engenharia e Agronomia) tem que ser mais rigoroso, tem que fiscalizar e punir empresas que fazem as coisas sem engenharia.”

Para Cestari, os abalos sísmicos por si só não representam riscos. “Na região de Paraibuna (SP), tem vários e tem a barragem da Cesp (Companhia Energética de São Paulo). Toda vez que ocorre um, os técnicos inspecionam. Nas barragens em que há gestão de segurança, nada acontece.” O Centro de Sismologia da Universidade de São Paulo (USP) divulgou boletim em que informa que a Rede Sismográfica Brasileira (RSBR) identificou seis tremores de terra de baixa magnitude (de aproximadamente 2,5 graus na Escala Richter) próximos à mineração Samarco, entre Catas Altas e Bento Rodrigues, na data. Esses pequenos abalos, segundo o comunicado, “não são incomuns no Brasil e mesmo em Minas Gerais (…). Ocorrem praticamente todos os dias. (…) Normalmente, tremores de magnitude três ou menores não causam danos diretamente em estruturas e construções e são sentidos apenas levemente”. Engenheiro de segurança do trabalho, o vice-presidente do SEESP, Celso Atienza, enfatiza: “Não é algo que podemos chamar de acidente. Com certeza, já havia sinais de problemas na estrutura. Um rompimento não ocorre de uma hora para outra, dá avisos.” Ele critica ainda a falta de um plano de ação de emergência.

A barragem de Germano, parte do complexo, pode ter sido afetada e estar em risco. A imprensa divulgou imagens aéreas de trincas no empreendimento, inclusive com danos na estrutura de aproximadamente três metros de comprimento. “Se há tal trinca, é preciso fazer reparos para ontem, urgentemente”, salienta Cestari. A Semad admite as trincas, mas afirma que “estão sendo monitoradas e não comprometem sua estrutura de imediato”.

O rompimento da barragem do Fundão atingiu até o momento cerca de 40 cidades entre Minas Gerais e Espírito Santo. Segundo laudo técnico preliminar do Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama), com graves impactos ambientais, econômicos e sociais, atingiu diretamente 663,2km de corpos hídricos, ao lançar no meio 34 milhões de metros cúbicos de rejeitos, e 16 milhões de m3 continuam a ser carreados a jusante e em direção ao mar. Em 27 de janeiro, vazamento de rejeitos acumulados acendeu novo sinal de alerta em Mariana. “O desastre continua em curso”, conclui o laudo do Ibama.

É o que evidencia visita feita pela reportagem do JE em 17 de dezembro último a um dos locais mais atingidos – o subdistrito de Mariana, Bento Rodrigues, onde morreram 17 pessoas e 82% das edificações foram destruídas. Um mês e meio após a catástrofe, o cenário era de “terra arrasada”. A população – no total, 600 habitantes – ainda está em abrigos provisórios.

País perde US$ 15 bi com má formação de engenheiro

Valor é estimativa dos prejuízos com falhas nos projetos de obras públicas, segundo dados apresentados por engenheiros reunidos em Curitiba, na última semana

       A baixa qualidade do ensino médio, sobretudo em disciplinas como física, química e matemática, tornou-se obstáculo para a formação de engenheiros no Brasil. Essa falha, agravada pela alta demanda gerada com o crescimento do país, tem custo – e não é pequeno.
Cálculos de entidades de engenharia mostram que o país perde US$ 15 bilhões (R$ 26,5 bilhões) por ano com falhas nos projetos das obras públicas. A cifra, equivalente a 1% do PIB, foi apresentada em encontro nacional de engenheiros, em Curitiba, na semana passada.
A reunião levou à capital do Paraná 850 engenheiros de todo o país com o único propósito: buscar meios de frear a crise sem precedentes da engenharia nacional.

Guerra
A CNI (Confederação Nacional da Indústria) calcula que 150 mil vagas de engenheiros não terão como ser preenchidas até 2012. Tamanha demanda diante da falta de profissionais criou uma guerra por engenheiros.
Em 2003, a formação de um engenheiro custava US$ 25 mil. Hoje, US$ 40 mil, diz a IBM, uma das empresas que mais contrataram engenheiros e técnicos de computação desde quando o Brasil tornou-se base mundial para oferta de serviços.
Essa escassez já atinge a competitividade brasileira. “Em 2009, exportamos US$ 1,5 bilhão em serviços. Só a IBM respondeu por US$ 500 milhões. A Índia exportou US$ 25 bilhões”, disse Paulo Portela, vice-presidente de Serviços da IBM, em seminário promovido pela Amcham, em São Paulo.
“Essa disputa [por engenheiros] não ajuda. Vamos perder se entrarmos numa guerra e ampliar a inflação dos custos da mão de obra.” O salário inicial, de R$ 1.500 em 2006, já atinge R$ 4.500.

Evasão
O diagnóstico da realidade nos 1.374 cursos no país mostra que a evasão nos cursos de engenharia é de 80%; dos 150 mil que ingressam no primeiro ano, 30 mil se formam.
“Só um 1 em cada 4 possui formação adequada. O Brasil forma menos de 10 mil engenheiros com competência e esses são disputados pelas empresas”, diz José Roberto Cardoso, diretor da Escola Politécnica da USP, uma das mais importantes faculdades de engenharia do país.
A Amcham (Câmara Americana de Comércio) quer o tema na campanha eleitoral. O documento com o diagnóstico e as propostas compiladas por Jacques Marcovitch, professor da USP e conselheiro do Fórum Econômico Mundial, será entregue ao governo e aos candidatos.
É certo que ficará para o próximo governo a busca da resposta para a pergunta: “Por que o jovem quer ser médico e advogado e não quer ser engenheiro e professor de matemática?”.
Exemplo de baixa procura pela área ocorreu em concurso para professor de física em São Paulo. De 931 vagas, só 304 foram preenchidas.

Sem oferta, indústria “caça” engenheiro
Pesquisa do Ibope encomendada pela Amcham aponta que 76% das empresas no Brasil possuem programas de treinamento e formação de mão de obra.
Boa parte desses gastos assegura o futuro engenheiro na companhia. A mineradora Vale, que só em 2010 prevê investimento total de US$ 12,9 bilhões, deu escala a esse modelo.
A mineradora criou cursos de pós-graduação para atrair engenheiros com até três anos de formado. Cada um recebe bolsa de R$ 3.000 para especialização em engenharia de mina, ferrovia, porto e agora pelotização (transformação de finas partículas de minério em pelotas).
Marcelo Brandão, engenheiro ambiental, e Fabio Witaker, engenheiro mecânico, são exemplos recentes. Foram contratados em fevereiro depois de curso intensivo de engenharia ferroviária.
Aproximar-se da academia tem sido a solução. A montadora General Motors é uma das empresas mais agressivas nesse campo. Com a instalação no Brasil de 1 dos 5 centros mundiais de desenvolvimento de produto, a montadora teve de ampliar de 600 para 1.300 o número de engenheiros.

Acordo
Um acordo com a Escola Politécnica da USP, um dos principais centros de formação de engenheiros no Brasil, deu à GM uma vantagem. Os estudantes de engenharia da Poli aprendem a desenhar carros no sistema GM de projetar veículos.
“Quando esses estudantes saírem da universidade, estarão prontos, com parte do treinamento executado”, diz Pedro Manuchakian, vice-presidente de Engenharia de Produtos da General Motors na América do Sul.
Com planos para criar centros de pesquisa no Brasil, General Electric e IBM correm para atrair profissionais. A IBM vai repatriar 50 cientistas brasileiros.
O novo laboratório anunciado há duas semanas exigirá cem cientistas, alguns dos quais engenheiros.
“É uma operação de guerra”, disse Paulo Portela, vice-presidente de Serviços da IBM. De 3.800 funcionários em 2003, a IBM expandiu para 21 mil. A empresa já treinou 60 mil pessoas, das quais contratou 10 mil.

Conteúdo nacional
A GE também tem planos igualmente fortes no país, sobretudo para ampliar o conteúdo nacional de componentes usados em seus equipamentos. A empresa também anunciou um centro de pesquisa no país, onde contratará 150 engenheiros.
Segundo Alexandre Alfredo, diretor de relações institucionais, a companhia foi buscar profissionais em quatro universidades: as paulistas USP e Unicamp e as federais do Rio e de Minas Gerais.

Governo quer reduzir evasão nos cursos
A principal meta do governo nos próximos três anos é elevar de 30 mil para 40 mil o número de graduados em engenharia no Brasil. A tarefa foi entregue à Capes (Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior). A instituição criou uma comissão para cumprir esse objetivo.
Segundo o coordenador da Capes, Jorge Almeida Guimarães, há dois problemas centrais na crise da engenharia brasileira.
A primeira é a precária formação no ensino fundamental e médio, com grandes deficiências em disciplinas básicas das chamadas ciências duras, como física, química e matemática.
A segunda é consequência da anterior. A falta de boa formação no ensino médio tem provocado evasão maciça nos cursos de engenharia. “A primeira missão será garantir que o aluno fique no curso”, disse Guimarães.
A Capes vai pedir auxílio à Petrobras para alcançar essa meta. A estatal, responsável por grande parte da demanda brasileira por engenheiros, é uma das empresas mais interessadas em ampliar a formação desses profissionais. Só assim conseguirá pôr em marcha planos de investimentos de US$ 200 bilhões nos próximos cinco anos.
A comissão da Capes estuda repetir iniciativa hoje já usada por grandes corporações e bancar a permanência dos alunos nos cursos.
A ampliação em 10 mil engenheiros em três anos é uma meta modesta para as necessidades nacionais.
Os países que fazem concorrência com o Brasil no mercado internacional formam contingentes muito maiores de engenheiros. Por ano, a China forma 400 mil engenheiros, a Índia, 250 mil, e a Coreia do Sul, 80 mil.

Iniciativas
Jacques Marcovitch, professor da USP, listou iniciativas com o objetivo de modernizar a engenharia nacional em documento a ser entregue pela Amcham (Câmara Americana de Comércio) aos presidenciáveis.
O desafio de todas é inverter a avaliação atual do diretor da Poli, José Roberto Cardoso: “Engenheiros de menos. Escolas de mais”.

Agnaldo Brito, Folha de SP, 21 de Junho

Assista também ao vídeo da FNE: Mais Engenheiros para Construir o Brasil, estimulando ampliação e melhoria da formação de novos profissionais

www.fne.org.br

REUNIÃO 71ª SEMANA OFICIAL DA ENGENHARIA E DA AGRONOMIA

A reunião é parte dos eventos precedentes à 71ª Semana Oficial da Engenharia e da Agronomia (Soea) que será realizada de 12 a 15 de agosto em Teresina (PI) e que, neste ano, pela primeira vez, inclui eventos anteriores e posteriores à programação da Semana. A Caixa de Assistência dos Profissionais (Mútua) também participa dos debates sobre inovação tecnológica e desenvolvimento para o País.

OBRAS DE MÉDIO E ALTO PADRÃO EM ALTA

A instabilidade no setor da construção civil criada pelo período de mudança de governo, em que projetos como o Minha Casa Minha Vida são afetados, não é unânime. Para quem atua no mercado, está claro que empreendimentos populares podem até sentir uma queda no nível de construções, mas os empreendimentos de médio e alto padrão continuam com bons projetos e com o ritmo intenso na construção de novos empreendimentos. A Metro Modular e a Embraplan Engenharia, empresas que atuam fortemente no setor, falaram um pouco sobre a situação do mercado na visão de cada uma delas.
A Metro Modular, empresa especializada na fabricação de formas com resina para paredes de concreto moldadas in-loco, disse que tem visto cada vez mais o aumento na demanda de empresas focadas em empreendimentos de médio e alto padrão por seu sistema construtivo. “Nossas formas já são amplamente utilizadas em obras populares e com muito sucesso e, devido às vantagens que esse sistema oferece, passaram a ser bastante utilizadas em obras de médio e alto padrão pelo fato de garantir agilidade e qualidade final”, comentou Edenilson Rivabene, gerente de planejamento da empresa.
Para a Embraplan Engenharia, empresa com escritórios nas cidades de São Paulo e Piracicaba e que é especializada na construção de empreendimentos residenciais e comerciais de alto e médio padrão, 2014 também não é considerado um ano ruim. Na verdade, representa uma seleção de empresas especializadas e sólidas no mercado. “Esse será um ano de ajustes no mercado, em que as empresas sólidas e especializadas no setor não terão dificuldade de se manter com bons ganhos”, avalia Jorge Luiz Provenzano Filho, coordenador de vendas da empresa.
Para a Metro Modular, além do mercado em expansão, o fato da empresa investir constantemente no aperfeiçoamento do produto é um dos fatores que tem mantido elevada a demanda por seu produto. Recentemente a empresa aperfeiçoou o sistema para garantir ainda mais agilidade e qualidade das obras que utilizam suas formas. “Desde o início, a Metro Modular teve a postura de se preocupar com a qualidade de seus produtos e o aperfeiçoamento desse sistema busca melhorar ainda mais a qualidade das nossas formas”, afirmou o gerente de planejamento da Metro Modular.
Rivabene explica que para construir os painéis para paredes de concreto, a empresa possuía 96 tipos de formas diferentes. “Tínhamos 6 modelos que apresentavam 16 opções de encaixe cada. Por isso, passamos a adotar o encaixe manual para compor o painel, então, todos os lados da forma podem ser encaixados reduzindo de 16 opções de encaixe para uma opção para cada modelo. Mudando esse sistema, facilitamos muito outras obras e as representações e montagem dos protótipos, pois tiramos dependência de equipamentos como a prensa e até mesmo o conhecimento que os montadores precisaram ter para montar 96 tipo, viabilizando a utilização de pessoas que não são especializadas, e isso abre um leque de mercado bem diferente ”, comenta.
O gerente de planejamento da Metro Modular explica que por meio de uma resina de alto desempenho e flexibilidade, a forma da Metro Modular tem peso reduzido e alto índice de reutilização, é ideal para estruturas de concreto como pilares, vigas, paredes e lajes, que exigem precisão, leveza, resistência e produtividade no andamento da obra. Com elevada resistência mecânica e à impactos, intempéries e manuseio em canteiros de obra, elas são consideradas uma alternativa ao uso da madeira e ao alumínio no processo da construção civil. “Como as formas são produzidas com resinas, elas podem ser utilizadas inúmeras vezes em outras construções, se adequando a diferentes projetos, tendo suas dimensões alteradas e moduladas para qualquer medida. Vale lembrar que a resina utilizada em nossas formas foram desenvolvidas especialmente para serem utilizadas no concreto”, diz.
Provenzano Filho, da Embraplan Engenharia, disse que o ano de 2013 foi extremamente positivo, especialmente com o lançamento do Mirage Residence, um edifício de médio padrão na cidade de Piracicaba. “O empreendimento foi lançado em novembro de 2013 e já estava com 90% das unidades vendidas antes mesmo do fim ano”, afirma Provenzano Filho.
Isso é explicado pela boa situação que o setor da construção civil vive em Piracicaba, gerado pelo crescimento econômico da cidade e pela geração de novos empregos na região. “O potencial de valorização dos imóveis em Piracicaba é muito grande, tendo em vista que em cidades com o mesmo porte, o valor do metro quadrado é mais caro. Acredito que esses fatores são os principais pontos positivos para o mercado. Sem dúvidas, investir em imóveis em Piracicaba é uma excelente decisão”, comenta o diretor de vendas da Embraplan, que está lançado outro empreendimento residencial na cidade neste ano.
O momento para a Metro Modular, que loca e vende suas formas, é tão positivo que devido à boa procura grande parte das formas disponíveis para locação estão distribuídas em canteiros de obras espalhados pelo país. “Por isso, a opção de venda tem sido atrativa, especialmente com a opção de adquiri-las através do financiamento pelo BNDES (Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social), que facilita ainda mais compra, já que a entidade oferece juros muitos baixos”, comenta Rivabene.

Foto: divulgação
DeCastro Assessoria de Imprensa
Fonte:http://www.brasilengenharia.com/portal/construcao/9281-obras-de-medio-e-alto-padrao-em-alta

TRÊS DESAFIOS DA CONSTRUÇÃO SUSTENTÁVEL

Quando se busca sustentabilidade, fala-se em aliviar a pressão que a demanda da sociedade por recursos naturais causa ao planeta. Dados da Accenture indicam que atualmente a população global consome uma vez e meia a capacidade do que a terra consegue gerar. Segundo a ONU, até 2050, o número de pessoas habitando o planeta deve chegar a nove bilhões e, se não houver uma mudança desde já, será necessário triplicar o mundo para atender a essas necessidades.
Um dos setores que mais consome recursos é o da construção civil. O método construtivo atual usa mais de 40% da energia produzida globalmente e contribui em 30% com a emissão de gases de efeito estufa.
Entre os maiores desafios do setor para aliar o desenvolvimento à sustentabilidade estão o consumo mais eficiente de água e energia e o controle na emissão de gases. É preciso mudar a forma de construir e, segundo a gerente de sustentabilidade da BASF, Flávia Tozatto “o mercado já começa a apresentar produtos e serviços que reduzam ou otimizem o uso dos recursos naturais”. Alguns exemplos são:

Água: O consumo de água na construção é grande, desde a obra até a vida útil da edificação. No canteiro de obras, além das necessidades humanas, que chegam a 45 litros diários por operário, há o uso do recurso como matéria-prima. Segundo dados do Departamento de Engenharia de Construção Civil e Urbana da Escola Politécnica da USP, para a confecção de um metro cúbico de concreto, por exemplo, se gasta em média de 160 a 200 litros de água.
Algumas soluções: já existem aditivos que são adicionados na fabricação do concreto que reduzem drasticamente o uso de água. O hiperplastificante MasterGlenium, por exemplo, aumenta a eficiência da hidratação do cimento e reduz o uso de água em mais de 40% em relação aos processos convencionais. O uso de cisternas e pisos drenantes, como o Elastopave, que permitem o recolhimento e reaproveitamento da água da chuva, também são recursos importantes para economia de água.

Energia: Segundo a Agência Internacional de Energia (AIE), o setor construtivo é responsável pelo consumo de quase metade de toda a energia produzida no mundo. No Brasil, de acordo com dados da Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC), as edificações consomem 42% de toda a energia gerada.
Algumas soluções: aproveitamento da luz e ventilação natural, a utilização de janelas com vidros duplos para manter a temperatura e a escolha de eletrodomésticos com selo de baixo consumo são medidas possíveis. Há também inovações que reduzem o uso do ar condicionado, como por exemplo, erguer as paredes com blocos de poliestireno expansível (EPS), conhecido popularmente como isopor. Unido ao grafite, garante um isolamento térmico do ambiente 20% maior em comparação ao produto convencional. Outro tipo de material que pode ser usado para fazer as paredes é a espuma rígida de poliuretano, o Elastopor, que proporciona maior conforto térmico, além de ser de rápida instalação. Também estão chegando ao mercado os pigmentos frios especiais que, adicionados à tinta, promovem a reflexão do calor solar, mantendo a superfície fria mesmo em cores escuras. Há ainda uma inovação interessante: o Micronal, que são microcápsulas poliméricas que têm parafina no interior. Elas promovem a troca de calor com o ambiente, ajudando a manter a temperatura. Essas tecnologias estão presentes na CasaE, Casa de Eficiência Energética da BASF.

Emissão de gases: A emissão de Gás Carbônico (CO2)e de Compostos Orgânicos Voláteis (VOCs) são dois vilões na construção por causarem danos à camada de ozônio. Os VOCs podem, inclusive, ser tóxicos ou provocar alergias.
Algumas soluções: A produção de cimento é responsável por 5% da emissão global de CO2 emitido na atmosfera. As emissões podem ser reduzidas com a utilização de aditivos específicos na elaboração do concreto, que contribuem para a diminuição do uso de cimento sem prejudicar as características específicas do concreto solicitadas em cada projeto. Já os VOCs são liberados na aplicação de argamassas, tintas, esmaltes e vernizes. Os produtos que levam água no lugar do solvente em suas formulações apresentam baixo índice de VOC e já são uma alternativa presente no mercado, como na ampla linha oferecida pela Suvinil. Outra inovação importante nesse sentido é o Acronal, emulsão acrílica para ser adicionada em argamassas, impermeabilizantes, tintas e outros produtos de acabamento, que proporciona a redução de 70% de VOCs.

Sobre a CasaE – A CasaE é a primeira Casa de Eficiência Energética da BASF no Brasil e a 10ª unidade da empresa no mundo. O projeto recebeu soluções inovadoras desenvolvidas pela BASF e pelos parceiros envolvidos com o objetivo de reduzir o consumo de energia e a emissão de CO2.
O sistema construtivo utilizado para as paredes, foi o Sistema ICF – Insulated Concrete Formwork – blocos feito com Neopor® – poliestireno expandido. Esta inovação, além de tornar a obra mais rápida e limpa, é responsável por um isolamento térmico eficiente. A estimativa de economia de toda a energia necessária é de cerca de 70%.
A BASF tem entre seus pilares a construção sustentável e oferece soluções voltadas à eficiência energética, além de materiais de alto desempenho, design e decoração. São plásticos, poliuretano, produtos químicos para construção, tintas, vernizes e pigmentos de última geração. Todos esses materiais foram aplicados na CasaE com o objetivo de mostrar ao mercado de construção o que existe de mais moderno em termos de obra de eficiência energética.

Sobre a BASF – A BASF é a empresa química líder mundial: The ChemicalCompany. Seu portifólio de produtos oferece desde químicos, plásticos, produtos de performance e para proteção de cultivos, até petróleo e gás. Nós combinamos o sucesso econômico, responsabilidade social e proteção ambiental. Por meio da ciência e da inovação, nós possibilitamos aos nossos clientes de todas as indústrias atender às atuais e futuras necessidades da sociedade. Nossos produtos e soluções contribuem para a preservação dos recursos, assegurando nutrição saudável e melhoria da qualidade de vida. Nós resumimos essa contribuição em nossa proposição corporativa: “Wecreatechemistry for a sustainable future” – Nós transformamos a química para um futuro sustentável. A BASF contabilizou vendas de €74 bilhões em 2013 e contava com mais de 112 mil colaboradores no final do ano. As ações da BASF são negociadas nas bolsas de valores de Frankfurt (BAS), Londres (BFA) e Zurique (AN). Mais informações sobre a BASF estão disponíveis no endereço www.basf.com.br

Foto: divulgação
Grupo Máquina
Fonte: http://www.brasilengenharia.com/portal/construcao/9468-tres-desafios-da-construcao-sustentavel